Novo modelo de gestão irá beneficiar alunos de escolas técnicas

Por: www.revistaamazonia.com.br

As escolas técnicas no Pará passarão por uma mudança de administração em 2019. A partir de agora, elas estarão vinculadas à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), que pretende implementar um modelo de gestão voltado ao empreendedorismo, novas tecnologias e inovação. A primeira das 25 instituições estaduais a adotar o padrão é a recém-inaugurada Dr. Celso Malcher, que fica no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e tem capacidade de atender 900 alunos.

O titular da Sectet, Carlos Maneschy, explica os benefícios que da mudança. “Temos um prazo de até dois anos para realizar a reestruturação completa. Vamos entrar para buscar uma reformulação no processo de ensino. Queremos uma aprendizagem criativa, instituir um modelo que o estudante tenha protagonismo na sua formação e que os professores possam ser capacitados para serem orientadores e tutores no processo de formação”, detalhou.

Não foi à toa que o primeiro espaço escolhido para receber essa reestruturação foi a escola Dr. Celso Malcher. A expectativa é que a moderna estrutura do PCT – Guamá seja utilizada pelos alunos para avanço em pesquisa e tecnologia. “Vamos sempre buscar novas parcerias nas ofertas de cursos. Inicialmente, já vamos utilizar a estrutura do Parque Tecnológico para oferecer experiências inovadoras para os estudantes. No futuro pretendemos utilizar ainda mais os espaços das universidades como auxílio à esse ensino” , disse Maneschy.

PCT-Guamá – O Parque de Ciência Tecnológico (PCT), que vai servir de suporte às escolas técnicas nesta mudança de gestão, é um ambiente único de pesquisa e tecnologia em operação na Amazônia. Localizado no bairro do Guamá, em Belém, o espaço tem como objetivo a busca pela inovação e empreendedorismo, e surgiu de uma parceria entre as Universidades Federal do Pará (UFPA), Federal Rural da Amazônia (Ufra) e o Governo do Estado.

Com uma área de 72 mil metros quadrados, abriga 14 centros e laboratórios tecnológicos, 22 empresas, 23 startups, instituições de pesquisa, grupos residentes, além da nova escola técnica Celso Malcher. Dentro do Parque é possível conhecer exemplos de sucesso na pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que além de movimentar a economia e colaborar para avanços em diversos setores do estado, ainda servem como incentivo para muitos estudantes em busca de capacitação nessas áreas.

Mundo Interativo Digital – Um dos cases de sucesso é a empresa Mundo Digital Interativo, localizada em um dos prédios do PCT. O empreendimento existe desde 2011 e desenvolve soluções em tecnologia da informação para treinamentos na área de engenharia e ciências exatas. O trabalho é realizado a partir de demandas especificas de cada cliente, na criação de sistemas e simuladores para empresas e órgãos públicos, ou por meio do próprio site da empresa, onde utilizam as plataformas disponíveis através da internet.

A empresa, genuinamente paraense, iniciou como um projeto de pesquisa. Logo no início de seu desenvolvimento, recebeu incentivos de instituições, como Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Fundação Amazônia de Amparo a Pesquisa do Pará (Fapespa). Os recursos disponibilizados pelos órgãos possibilitaram o crescimento do negócio até este virar uma referência nacional na área de tecnologia, com diversos clientes por todo o Brasil, como grandes empresas, prefeituras e universidades.

“É importante frisar que conseguimos trazer recursos para o Estado. Tudo que foi investido na gente, através de uma linha de financiamento, já retornou várias vezes em formas de impostos”, afirmou o sócio proprietário, professor Manoel Sena.

O professor ainda acredita que iniciativas como esta são exemplos para os jovens do Estado. “Não só o MDI, como as outras empresas aqui do Parque representam exemplos de esforço para desenvolver tecnologia aqui no Pará. A gente recebe muitos estudantes de escolas técnicas, da rede pública, da rede privada e de engenharia, que querem conhecer nosso funcionamento. Isso é muito positivo, incentiva que cada vez mais jovens busquem trabalhar nessa área”, conclui.

Qualidade do leite – Outro exemplo inspirador no setor de pesquisa e tecnologia no PCT é o Laboratório de Qualidade do Leite. O espaço faz parte de uma rede brasileira de qualidade do leite, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e tem como objetivo principal fazer análises microbiológicas e da composição do leite cru, matéria prima principal de diversos alimentos. Com isso, a ideia é controlar e avaliar se a manipulação, os equipamentos e a ordenha estão sendo feitas de forma adequada, para gerar produtos de maior de qualidade.

A gerente do laboratório, Luísa Helena da Silva, explica a importância das pesquisas para o produtor e a população. “Nós recebemos leites de indústrias, de pequenos produtores e de cooperativas, que produzem e comercializam o produto. A ideia é estabelecer parâmetros e pré-requisitos para atestar a qualidade, e repassar esses resultados não só para quem produz, mas como para a comunidade. Tentar mostrar o que estamos consumindo, qual o diferencial de cada produto, e a partir disso agregar valor e aumentar a qualidade do que é oferecido”, ressaltou.

A intenção é que estudantes participem e interajam cada vez mais nas pesquisas. “Como estamos na fase de certificação, infelizmente não podemos ter estudantes trabalhando diretamente aqui. Mas vamos sempre estar fornecendo dados e suporte para as pesquisas. A região Norte ainda não tem os padrões de referência nessas pesquisas, estamos construindo isso, então tem a participação de alunos que vão trabalhar em cima desses dados para poder disponibilizar essa informação”, concluiu a gerente.

Por Raphael Graim

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