Por: www.revistaamazonia.com.br

Diante da enorme procura do público paraense e da comoção em torno do encerramento antecipado da exposição “Saramago – os pontos e a vista”, a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), com a parceria do Corpo de Bombeiros e da Universidade Federal do Pará (UFPA), resolveu reabrir a mostra, no período de 12 a 17 de fevereiro, no Museu do Estado do Pará (MEP).

A decisão de interditar Palácio Lauro Sodré e assim fechar a exposição, duas semanas antes de seu encerramento oficial, se deu logo depois do desabamento do forro de argamassa no Salão Pompeiano, ocorrido no dia 25 de janeiro, que ocasionou fissuras no hall de entrada do MEP. Na ocasião, o laudo do Corpo de Bombeiros, solicitado pelo Sistema Integrado de Museus (SIM), considerou o prédio inapto à visitação.

De acordo com Armando Sobral, diretor do SIM, o Corpo de Bombeiros está acompanhando todo o processo de reabertura da exposição e estará presente no prédio nos horários de visitação. “Estamos reabrindo a exposição após seguir todas as orientações do Corpo de Bombeiros, que nos garantiu não haver riscos à segurança. Adquirimos todos os equipamento de combate a incêndio, sinalizamos com placas as rotas de fuga e instalamos luzes de emergência, concentrando todo o sistema de segurança nas áreas de exposição”,  concluiu. “O restante do prédio encontra-se interditado. Para garantir ainda mais segurança aos visitantes, teremos durante a exposição, dois brigadistas orientando e controlando fluxo no museu”, explicou.

Palácio Lauro Sodré

Projetado pelo arquiteto bolonhês Antônio Landi, o Palácio Lauro Sodré começou a ser construído em 1762, para servir de sede e moradia dos governadores e generais do Pará. O Museu do Estado, como monumento, foi inaugurado pelo então governador Jader Barbalho e fará 25 anos em 31 de março. O espaço abriga a reserva técnica do SIM, o maior acervo artístico do Estado.

A última reforma, no entanto, ocorreu em 2008. Parte do forro do Salão Pompeano desabou em 2012, tendo sido feito apenas um reparo paliativo. Em dezembro de 2016, um laudo emitido pelo Iphan apontou que havia infiltrações em alguns pontos e que o restante do forro do salão estava escorado por peças de madeira, sem a recuperação necessária. O incidente de janeiro deste ano causou a destruição de um mobiliário histórico onde Paes de Carvalho declarou a adesão do Pará à República, em 1889.

SARAMAGO – os pontos e a vista

Com curadoria de Marcello Dantas e produção de vídeos de Miguel Gonçalves Mendes, a exposição se baseia no uso inédito de um rico acervo de materiais audiovisuais, criando uma vivência singular do ponto de vista de José Saramago em primeira pessoa.

Apresentando dimensões diferentes de Saramago, a exposição leva o público a compreender melhor o autor português, popularmente conhecido por suas opiniões polêmicas explicitas em suas criações literárias com um interesse pelo mundo e pelo ser humano.

Mais do que a obra ou a biografia, a exposição apresenta a trajetória de vida de Saramago, mesmo antes de se tornar escritor, pois exerceu diversas atividades que o permitiram experimentar a vida e acumular perspectivas a partir de diferentes pontos de vista.

Assim como nos livros do autor, cada visitante viverá uma experiência imaginativa única, na qual realidade e literatura se mesclam e fazem cada um (re)pensar o seu papel no mundo.

A exposição em Belém integra o calendário oficial de celebração dos 20 anos de atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago, com eventos organizados pela Fundação José Saramago em parceria com entidades públicas e privadas, em Portugal e em vários outros países.

Serviço:
Exposição “SARAMAGO – Os pontos e a vista”
Local: Museu do Estado do Pará (MEP) – Entrada pela Trav. Coronel Fontoura (lateral do museu)
Período: De terça a domingo, no período de 12 a 17 de fevereiro de 2019
Horário: De 10h as 17h
Entrada franca

Por Úrsula Pereira