Da Casa das Canoas á Base Naval de Val de Cans

No ano de 1549, o Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, decidiu colocar na Bahia um grupo de especialistas em navegação marítima, visando o transporte da madeira nobre existente no novo espaço descoberto. O grupo era integrado por um mestre em construção de embarcações, carpinteiros, calafetes e ferreiros. A equipe criou novos tipos de embarcações, alterando a forma do trabalho marítimo medieval com métodos científicos, possibilitando navegar com segurança em qualquer parte do mundo, .destacando-se a caravela mais veloz para enfrentar os ventos nas viagens transoceânicas.

Em 1589, existiam na Bahia, 40 carpinteiros entre portugueses e nativos com a missão exclusiva de construir navios. Oficialmente foi inaugurado o Primeiro Estaleiro na Bahia, com o nome de Ribeira das Naus, quando a Coroa concede incentivos fiscais isentando de impostos os estaleiros que se dedicassem à construção de navios cargueiros.

No decorrer de 1663, com a transferência da Capital da Bahia para o Rio de Janeiro, o Arsenal daria grande impulso à construção naval. Nos meados de 1666, é inaugurada na Ilha do Governador no Rio de Janeiro, a Fábrica das Fragatas onde foi construída a célebre nau Padre Eterno, sendo à época o maior navio existente no mundo. No ano de 1770, a Ribeira das Naus, passou à denominação de Arsenal da Marinha.

A seguir, o Governo Português autorizou a construção de novos Arsenais da Marinha, no Recife e em Belém do Pará. Com o grande fluxo de madeira existente na Amazónia, o Arsenal de Belém tornou-se importante centro construtor. Em Belém, foram construídas algumas oficinas e alguns telheiros em frente ao Palácio do Governador e Capitão General do Estado do Maranhão e Grão Pará, no ano de 1728. As oficinas destinavam-se ao reparo e construção de canoas de guerra, e o telheiro responsável pela guarda de munições de ante carga dos canhões. Esse conjunto foi batizado de “Casa das Canoas” que para melhor cumprimento das suas finalidades mudou-se para o Convento de São Boaventura, onde atualmente é a sede do 4º Distrito Naval.

No ano de 1761, passou à denominação de Arsenal de Marinha do Pará com maiores atribuições para a construção de navios de guerra de grande porte para operar em mar mais aberto. Neste âmbito foram construídas uma armada com 74 canhões, 5 fragatas de 44 canhões, 4 charruas e 12 calupas artilheiras. O destaque maior das operações foi a Fragata Imperatriz que serviu no Rio da Prata, sustentando violentamente a abordagem de dezenas de navios inimigos. Posteriormente, o Arsenal dedicou-se a reparos em navios de guerra, passando a constituir-se a Flotilha do Amazonas. Para a defesa da Costa brasileira e das suas bases de comunicações náuticas em tempo de guerra, o Estado Maior da Armada implantou métodos adequados aos conflitos futuros que se avizinhavam. Nessa perspectiva para proteger a Costa paraense, é criada no porto de Belém a Base Naval do Pará, através do Decreto Federal de

7 de Julho de 1922, firmado nos estudos do litoral norte brasileiro e da Bacia Amazônica.

Superadas as dificuldades da Revolução de 1930, é criada a SNAPP – Superintendência de Navegação e Administração dos Portos do Pará – para dar apoio ao acervo do Arsenal com planejamento da Base Naval de Val de Cans, motivada pela participação do Brasil na II Guerra Mundial. Devido aos conflitos, oficialmente, a Base Naval da Marinha do Pará teve seu registro efetivado a 5 de Maio de 1950, dando continuidade às suas atividades marítimas.

Manuscritos nos levam ao centenário Centro de Instrução Almirante Brás de Aguiar – CIABA, criado pelo Marechal Floriano Peixoto, Presidente da República e o Ministro da Marinha Custódio de Melo, em 13 de Outubro de

1892, para o ensino dos Cursos de Maquinista e de Náutica. O prédio da antiga Inspetoria do Arsenal de Marinha foi sua primeira sede, atualmente é o Comando do 4º Distrito Naval. Por ser o processo educacional pioneiro, foi considerado o 2º Estabelecimento de Ensino da Marinha do Brasil e o 1º no gênero na América do Sul.

No ano de 1907, foram criados os Cursos de Comissários e de Radiotelegrafista, exigindo novo espaço para desempenhar essas funções quando nasceu a Escola de Marinha Mercante do Pará, sediada em terrenos do 4º Distrito Naval.

Na Base Naval de Val de Cans, são construídas lanchas que atendem aos meios navais dos Comandos do 4º Distrito Naval, bem como do Comando do 9º Distrito Naval, sediado em Manaus, Estado do Amazonas. Um dos objetivos é o projeto “Caminhos da Escola”, subsidiado pelo Governo Federal, para construção de lanchas escolares a fim de conduzir estudantes ribeirinhos. São lanchas que atuam tanto nas águas fluviais como marítimas, devido a posição estratégica do Rio Amazonas.

Na atualidade tanto a EMMPA – Escola de Marinha Mercante do Pará (EMMPA) como o Centro de Instrução Almirante Brás de Aguiar (CIABA), cumprem a missão de formar pessoal especializado nas áreas Náutica e Máquinas, Fluviários, Portuários, em nível médio, assim como Bacharéis em Ciências Náuticas, por cuja graduação recebem a Carta Patente de Segundo Tenente da Reserva Não Remunerada, da Marinha do Brasil.

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