COP24 termina sem propostas consistentes para ação climática

Por: revistaamazonia.com.br

Cerca de dois meses após o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) alertar que temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global, a COP 24, realizada neste ano na Polônia, terminou sem nenhuma proposta ambiciosa e robusta de ação às mudanças climáticas. Com um dia de atraso, quase 200 países acordaram um “livro de regras” para implementar o Acordo de Paris, firmado em 2015, porém sem um claro comprometimento coletivo para ações de combate ao aquecimento global.

“Um ano de desastres climáticos e um alerta terrível dos principais cientistas do mundo deveriam ter levado a muito mais. Em vez disso, os governos decepcionaram as pessoas ao ignorarem a ciência e o sofrimento dos vulneráveis. Reconhecer a urgência da ambição e adotar um conjunto de regras para a ação climática não é suficiente quando nações inteiras enfrentam a extinção”, afirma Jennifer Morgan, Diretora Executiva do Greenpeace Internacional. “Sem ação imediata, mesmo as regras mais fortes não nos levarão a lugar nenhum. As pessoas esperavam ação e isso é o que os governos não cumpriram. Isso é moralmente inaceitável e eles devem levar consigo a indignação das pessoas e chegar à cúpula do Secretário Geral da ONU em 2019 com metas de ação climática mais elevadas”, complementa.

O Greenpeace pede aos governos que reforcem a medidas de combate às mudanças climáticas imediatamente e que provem que ouviram as demandas das pessoas. O relatório do IPCC deve ser o apelo à ação – ação que corresponde ao ritmo e à escala da ameaça.

“Textos de compromisso são pagos em vidas humanas e os mais pobres e vulneráveis são os que mais têm necessidades. O IPCC já afirmou que a humanidade não existirá como tal se ultrapassar um aquecimento de 1.5ºC até o fim do século e este livro de regras reconhece que as NDCs (Contribuições Nacionais Determinadas) precisam ser atualizadas até 2020, mas não compromete os países aqui e agora a aumentar a ação contra as mudanças climáticas. Esperávamos um sinal mais claro de ambição”, afirma Fabiana Alves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

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