Fundo que pode ajudar a financiar ferrovia paraense começa a operar

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Já começou a operar o Fundo de Cooperação para Expansão e Capacidade Produtiva Brasil-China, que disponibilizará US$ 20 bilhões em créditos para projetos nas áreas de infraestrutura, manufatura, tecnologia e agronegócio no país. Os interessados já podem submeter propostas à análise de um grupo técnico e de um Comitê Diretivo formado por autoridades brasileiras e chinesas. A Ferrovia Paraense, ligação por estrada de ferro entre o sul do Pará e os portos de Vila do Conde e Colares, no norte/nordeste do estado, está entre os projetos que buscam financiamento.
O Fundo financiará exclusivamente projetos brasileiros e terá aporte de US$ 15 bilhões da China, por meio do Claifund, o Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina. Mais US$ 5 bilhões é a parte que cabe ao Brasil e será mantida uma proporção de R$ 3 da China para cada R$ 1 brasileiro. O crédito brasileiro virá preferencialmente da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas, segundo Jorge Arbache, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, isso não impede a participação de outros bancos do país com interesse em conceder o financiamento. “Com o objetivo de criar competição, demos a preferência para BNDES e a Caixa, mas não exclusividade. Se o projeto adentrar [para análise] tendo o Banco do Brasil como apoiador, não terá BNDES, nem Caixa”, explicou. Arbache frisou que não haverá aportes do Tesouro Nacional.
O secretário explicou que os prazos, taxas de juros e o tipo de crédito concedido dependerão do perfil de cada projeto. “Os bancos dos dois lados [Brasil e China] sentarão à mesa e farão toda a análise dos projetos”, informou. Antes de chegar para análise dos bancos, as propostas passarão pelo crivo do Comitê Diretivo, que conferirá ou não o selo de prioridade.
Para submeter um projeto à análise é aconselhável que o interessado leia primeiro um manual operacional disponibilizado pelo Planejamento. O próximo passo é preencher uma carta consulta na página do Fundo Brasil-China na internet. “A gente espera que ao longo das próximas semanas receba os primeiros projetos. Já sabemos que há muitos interessados. Bancos brasileiros já informaram que têm projetos vinculados aos seus clientes com interesse de entrar”, informou Jorge Arbache. Segundo ele, não está descartada a disponibilização de recursos superiores aos US$ 20 bilhões iniciais, dependendo da demanda.
Apoio Chinês
No dia 23 de maio, em Brasília, o embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhang, se encontrou com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Adnan Demachki, e garantiu apoio ao projeto da Ferrovia Paraense. O encontro foi realizado na embaixada chinesa em Brasília e contou, ainda, com a participação do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), representantes do governo federal e de construtoras interessadas no projeto.
Durante a audiência, o embaixador chinês admitiu que não conhecia o projeto, mas ao ler um resumo entregue pelo secretário Adnan Demachki e pelo senador Flexa Ribeiro, se disse entusiasmado com a ideia. “Conhecia apenas os projetos das ferrovias Norte-Sul, Ferrogrão e Leste-Oeste, mas ao conhecer o da ferrovia do Pará, vejo que eles se completam”, disse o embaixador.
“O Pará é um gigante na produção de minérios, tendo ainda grande capacidade de produzir alimentos, boa hidrologia, muitos rios e todas as condições de crescer ainda mais com a construção dessa ferrovia, escoando não só sua produção, mas a de outras regiões do Brasil”, completou Li Jinzhang. Aproveitando a presença de um representante da China Communications Construction Company (CCCC), uma das maiores empresas de engenharia do mundo, o embaixador sugeriu aos representantes paraenses que iniciem contatos de forma direta com a companhia e outras empresas chinesas para buscar apoio tecnológico visando viabilizar construção.
Ferrovia Paraense
O projeto de uma ferrovia construída inteiramente em território paraense constitui-se de 1,3 mil quilômetros e um porto multicarga em Colares, no nordeste do Estado. Levantamentos apontam que o local é propício para receber navios de grande capacidade, por possuir calado mais profundo e um Condomínio Industrial Portuário. Segundo informações preliminares de técnicos da empresa, que idealizaram o projeto, os investimentos privados previstos para a ferrovia seriam de U$ 4.5 bilhões.
Já na fase de construção, cujo início está previsto para 2018, seriam 14 mil empregos e, durante a operação, somando os trabalhos na ferrovia, ramais, plataformas, superporto e condomínio industrial, a estimativa é de mais 60 mil empregos diretos. Diferente do projeto de extensão da Norte-Sul, do Governo Federal, a ferrovia estadual possui um traçado bem maior no território paraense. Inicia em Santana do Araguaia e passaria por vários municípios, como Redenção, Xinguara, Marabá, Rondon, Nova Ipixuna, Ulianópolis, Paragominas, Barcarena e Colares.

Socel News

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