Por que o uso do termo ESQUERDOPATA é inadequado?

O Brasil vive um momento crítico em sua história. Com se não bastasse à crise econômica, também atravessamos uma crise política, ética, moral e social. Os ânimos estão acirrados, fortalecendo assim, uma polarização antiga composta por direita e esquerda.

A população está dividida entre aqueles que gritam “Impeachment!” e aqueles que bradam “Não vai ter golpe!”. Infelizmente no meio desse fogo cruzado surgem termos pejorativos como “coxinha” e “petralha”.

Por que o uso do termo esquerdopata é inadequado?O termo mais recente é o neologismo “ esquerdopata ”, usado para se referir àqueles que têm um posicionamento político mais à esquerda, que é caracterizada por priorizar o bem-estar social e por lutar contra a injustiça e a desigualdade.

Não sou a favor de nenhuma expressão desse tipo. Acredito que a falta de interesse e a preguiça de conhecer o outro (o diferente) sejam as principais motivações para a estampa de um rótulo.

O objetivo deste texto não é sair em defesa de A e nem de B, não é agradar a esquerda e nem a direita. Quero analisar o neologismo “ esquerdopata ” e destacar o que tal expressão pode representar. Poderia analisar qualquer outra expressão, porém esta me chamou atenção por associar um posicionamento político-ideológico a uma patologia, ou seja, a uma doença.

Quem cunhou este termo tinha como objetivo agredir, ofender e diminuir quem pensa diferente. A intenção era associar um pensamento político à falta de inteligência, e, principalmente, a uma doença mental.

O uso naturalizado deste termo é um sintoma social grave, pois este neologismo é a expressão máxima da intolerância advinda de determinados grupos.

Além de demonstrar intolerância, palavras como esta alimentam um discurso de ódio.

Ao usá-las cavamos um abismo ainda maior entre os dois lados. Essa troca de farpas e de expressões chulas constitui-se numa “Guerra Fria” cujo objetivo é destruir a ideologia adversária.

Vivemos em uma democracia. Isso significa que temos a liberdade de ter a nossa própria opinião, e, portanto, gozamos do direito de discordar. Qualquer pessoa com a menor noção de cidadania deveria se alegrar por viver num país onde a pluralidade de pensamentos é garantida por lei. O grande problema é que muitos ainda não aprenderam a conviver com aquele que pensa diferente; respeitar suas ideias, sua linha de pensamento e suas opiniões.

Parece que há pessoas que não conseguem separar uma discussão restrita a esfera política da esfera pessoal.

As redes sociais nos servem de termômetro para aferir a temperatura dos ânimos acirrados. Amizades desfeitas, brigas, xingamentos, palavrões e etc. Tudo porque o outro apóia um partido diferente do seu. Já dizia Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”.

Tudo isso mostra que precisamos urgentemente amadurecer enquanto cidadãos e enquanto sociedade.

Patologizar um posicionamento político-ideológico divergente do seu é a maior prova da sua própria doença.

O termo “ esquerdopata ” é completamente inadequado e inteiramente dispensável. Em momentos como esse, precisamos de pessoas tolerantesrespeitosas e pacificadoras.

Que a frase atribuída a Voltaire possa despertar uma geração de gente tolerante e que sabe conviver o diferente.

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

Viva a democracia!


Pensador Anônimo

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